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AS OBRAS MUSICAIS SÃO ESTRUTURAS SONORAS?

From: 2017-02-21 To:2017-02-21

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    Modern & Contemporary Philosophy
  • Research Group


    Mind, Language & Action
  • MLAG RESEARCH SEMINAR 2016-2017

    AS OBRAS MUSICAIS SÃO ESTRUTURAS SONORAS? 

    Vítor Guerreiro 
    (PhD - Universidade do Porto)

     

     

    21 de fevereiro 2017 (terça-feira)

    14h30 | Sala de Reuniões

    Entrada livre

     

    Resumo: Em The Aesthetics of Music, Roger Scruton afirma, acerca dos quebra-cabeças ontológicos levantados pelas obras musicais que ou estes dizem respeito ao estatuto metafísico de um “objecto intencional”, sendo que nesse caso são susceptíveis de uma solução arbitrária, ou dizem respeito aos sons em que a obra musical é escutada e não passam de um caso especial de problemas sobre a natureza e identidade de eventos. (Ou seja, nada de especial se acrescentaria pelo facto de se tratar de entidades musicais.) No espírito desta disjunção, vários filósofos da música, de um modo ou de outro, se mostram cépticos quanto ao valor do “projecto” da ontologia musical – a tentativa de resolver os quebra-cabeças da categoria ontológica a que pertencem as obras musicais (“a questão categorial”) e das condições de identidade e persistência das mesmas (“a questão da individuação”). Tais filósofos tendem a considerar que as descrições ontológicas que fazemos das obras musicais, não tendo consequências empíricas nem podendo ser refutadas pelo que sabemos empiricamente acerca da música, são estética e artisticamente inócuas.

    Um exemplo de quando isto poderá soar menos plausível é quando a descrição das obras musicais em termos de tipos abstractos, eternamente existentes, choca com intuições arreigadas, por exemplo, de que as obras musicais, se são algo, são antes de mais criações dos seus compositores. De algum modo, não é indiferente redescrever a composição de uma obra musical em termos de descoberta criativa em vez de criação simpliciter. Não é indiferente à luz do que importa para nós na identificação de algo como a obra musical O em vez de outra coisa. Ora, o que importa para nós é também o que torna racional a música como prática humana. O que mais importa na prática não pode, portanto, ser teoricamente irrelevante ou arbitrário.

    Creio que o projecto da ontologia musical é importante para iluminar a nossa concepção e experiência da música, embora duvide de que algo musical ou artisticamente relevante dependa de termos uma interpretação realista (acerca de abstracta) ou nominalista de quaisquer entidades em que entendemos que as obras musicais estão corporizadas (e.g. “estruturas sonoras”). Ambas perdem de vista o que é essencial a estas entidades qua entidades musicais e aquilo que lhes é essencial neste sentido é indiferente a qual das interpretações aderimos. O que procuro fazer é aceitar o primeiro disjunto no dilema inicial – as questões de ontologia musical não são acerca de um objecto que exista independentemente dos estados intencionais de agentes cognitivos como nós, rejeitando a ideia de que a resposta a essas questões seja arbitrária ou irrelevante.

     

     

    Imagem: Pablo Picasso, Guitare et feuille de musique (Guitar and sheet of music), (1912)

     

    Programa MLAG Research Seminars: http://ifilosofia.up.pt/activities/mlag-research-seminar-2016-2017

     

    Organização:
    Research Group Mind Language and Action Group (MLAG)
    MLAG Seminars 2016-2017 (Sofia Miguens, Luís Veríssimo, Brena Fernandez, Diana Couto)

    Instituto de Filosofia da Universidade do Porto - FIL/00502
    Financiamento: FCT

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