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DO CÉREBRO TRIUNO AO CÉREBRO PREDITIVO: 27 ANOS DE NEUROCIÊNCIA AFETIVA

From: 2017-05-30 To:2017-05-30

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    Modern & Contemporary Philosophy
  • Research Group


    Aesthetics, Politics & Knowledge
  • CICLO DE SEMINÁRIOS
    FREUD, PSICANÁLISE E AS NEUROCIÊNCIAS

    5ª SESSÃO

    DO CÉREBRO TRIUNO AO CÉREBRO PREDITIVO: 27 ANOS DE NEUROCIÊNCIA AFETIVA

    Prof. ​Fernando Ferreira-Santos *
    (Neurocientista / PhD em Psicologia)

     

    30 de maio 2017 (terça-feira)
    14h00 | Sala do Departamento de Filosofia (Torre B - Piso 1)

    Entrada livre

     

    Resumo: O termo Neurociência Afetiva terá sido cunhado em 1990 pelo cientista Jaak Panksepp para capturar o domínio então em desenvolvimento do estudo neurobiológico dos processos emocionais. Uma forte influência na incepção da Neurociência Afetiva é a visão tripartida do cérebro humano como composto por três camadas filogeneticamente independentes, notoriamente divulgada por Paul Maclean: um cérebro reptiliano, sede dos instintos; um cérebro de mamífero inferior, locus da emoção; e um cérebro de mamífero superior, centro da razão. De facto, a abordagem de Maclean constitui o núcleo concetual da teoria das emoções primordiais de Panksepp. Esta visão é intuitivamente satisfatória e de facto ecoa uma estrutura concetual bastante mais antiga, que podemos encontrar no modelo da mente de Freud e mesmo na conceção de alma de Platão. Curiosamente, talvez o "cérebro triuno" revele mais sobre a antropologia da sociedades ocidentais do que sobre a neurobiologia do cérebro humano. De facto, o conhecimento atual em biologia evolutiva e neuroanatomia estrutural e funcional não são consistentes com a maior parte dos detalhes científicos da proposta de Maclean. Presentemente, discute-se um modelo alternativo do cérebro como um sistema preditivo inferencial, gerando previsões e comparando-as com os dados sensoriais de forma a regular o corpo e o comportamento de forma alostática. O "cérebro preditivo" configura-se como um paradigma emergente nas Neurociências Cognitivas e Afetivas que questiona a conceção tradicional de termos como "razão" e "emoção", sugerindo que estes fenómenos não constituem elementos fundamentais do psiquismo, mas emergem a partir da classificação das dinâmicas preditivas.


    * Fernando Ferreira-Santos é Professor Auxiliar na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto desde 2015. Doutorou-se em Psicologia em 2013 pela Universidade do Porto, com o tema Modulation of event-related potentials by facial expressions of emotion in infants and adults, tendo desenvolvido dois anos de investigação (2010-2012) na Developmental Cognitive Neuroscience Unit, University College London (UCL). Entre outras publicações, conta com 13 artigos em revistas internacionais com indexação JCR, com fatores de impacto entre 0.6 e 20.4 (IF médio = 4.6) na área das Neurociências Cognitivas e Afetivas, Psicologia e Ciências Biomédicas. Tem 10 anos de experiência de investigação laboratorial em Neurociências Cognitivas, Afetivas e Sociais, tendo sido investigador em 6 projetos financiados em concurso competitivo (FCT, Fundação BIAL) um dos quais como Investigador Principal. Desde 2016 é membro eleito da direção da European Society for Cognitive and Affective Neuroscience.

     

    Imagem: Nadir Afonso, LES SPIRALES (1954), óleo sobre tela

     


    Organização:
    Research Group Aesthetics, Politics and Knowledge (APK)
    Ciclo de Seminários “Freud, Psicanálise e as Neurociências” (José Filipe P. M. Silva; Paulo Tunhas)

    Instituto de Filosofia da Universidade do Porto - FIL/00502
    Financiamento: FCT

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