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Silêncios Tangíveis. Corpo, resistência e testemunho nos espaços contemporâneos de abandono

Eugénia Vilela, «Silêncios Tangíveis. Corpo, resistência e testemunho nos espaços contemporâneos de abandono» 2010

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Publication of Archived Group GFMC (2010 - 2015), now integrated in:
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    Modern & Contemporary Philosophy
    • Type:

      Theses
    • Author:

      Eugénia Vilela
    • Title:

      Silêncios Tangíveis. Corpo, resistência e testemunho nos espaços contemporâneos de abandono
    • Year:

      2010

    Summary

    Silêncios Tangíveis. Corpo, resistência e testemunho nos espaços contemporâneos de abandono

    Description

    Edição: 2010
    Páginas: 596
    Editora: Edições Afrontamento
    ISBN: 978-972-36-0963-9

    Toda a experiência de pensamento se inscreve num gesto impossível. Este livro tem o seu acontecimento originário: uma imagem fotográfica que se fende nos corpos em deslocação de uma humanidade em trânsito. Numa cartografia surreal, homens, mulheres e crianças sobrevivem contemporaneamente em espaços de abandono campos de refugiados, espaços de deslocação, campos de retenção – nos quais a linguagem é suturada ao mutismo do corpo que se dobra sobre si mesmo, caindo num silêncio sem infância.
    Em situações de violência extrema, na propagação de fronteiras jurídico-administrativas marcadas por uma política de migração e de controlo das populações, o «deslocado» é a enunciação de um corpo singular transformado numa identidade biopolítica que imobiliza o tempo e esteriliza o espaço. Todavia, a sua existência confronta-nos com um movimento onde se fende o território linear da narrativa histórica. Apesar do gesto de dar a morte em vida, próprio do poder biopolítico, os «deslocados » resistem num corpo-acontecimento. No seu corpo singular, a força excessiva da vida rebenta violentamente. Como uma inquietante estranheza. Considerando a tensão intrínseca presente no conceito de biopolítica, perspectivado por Michel Foucault – entre um poder sobre a vida e um poder da vida –, neste livro procura-se pensar a figura desses corpos-impossíveis, através de fragmentos de um sentido a-vir nos quais se desenha um pensamento onde as relações entre o acontecimento, a memória e o testemunho abrem a possibilidade de questionar o sentido da resistência. Mas como testemunhar um acontecimento sem tradução? Desde o interior de um movimento de contaminação entre a política e a estética, o pensamento enraíza-se no silêncio de um corpo que resiste.
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