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Página actualizada a 20-05-2013
Página impressa a 18-11-2017

Anselmo de Cantuária

Imago Mundi, 1

Anselmo de Cantuária, Diálogos filosóficos (A verdade, A liberdade de escolha, A queda do Diabo / De veritate, De libertate arbitrii, De casu diaboli), Introd., Trad. e Notas Paula Oliveira e Silva, (Col. Imago Mundi, 1) Ed. Afrontamento, Porto 2012. 260 pp. [ficha editorial pdf]

Índice

Introdução, 7
Breve cronologia da vida e obra de Anselmo, 43
Bibliografia, 45
Nota editorial, 58

Texto e tradução
De veritate, 60
  A verdade, 61
De libertate arbitrii, 116
  A liberdade de escolha, 117
De casu diaboli, 162
  A queda do diabo, 163

Índice onomástico, 261

Anselmo de Cantuária (1033-1109), seguramente o mais importante autor do século XI e do início do século XII, é um dos artífices da renovação do pensamento ocidental. Alguns dos seus argumentos foram determinantes para o desenvolvimento da Filosofia Ocidental e continuam hoje a ser objeto de intenso debate. As obras incluídas neste volume, no seu conjunto pela primeira vez traduzidas para português, recolocam três problemas centrais da Filosofia e da Teologia medievais: a definição de verdade e de justiça (em A verdade), a compreensão dos paradoxos da vontade e da liberdade de perder a liberdade (em A liberdade de escolha), a discussão das dificuldades para conceptualizar as escolhas que afastam da verdade e da retidão da vontade (em A queda do diabo). Estes diálogos entre Mestre e Discípulo oferecem um exemplo vivo do apurado sentido especulativo e argumentativo de Anselmo.

Paula Oliveira e Silva é investigadora do programa FCT Ciência2008 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Traduziu e comentou obras de Agostinho de Hipona, Petrarca, Lorenzo Valla e Francisco Suárez. É autora de um vasto conjunto de estudos sobre o pensamento de Agostinho, a Filosofia Medieval e a Segunda Escolástica.

 

Cronologia de Anselmo de Cantuária

1033-34 – Nasce em Aosta, de pais nobres, Ermenberga, talvez parente dos condes de Savoia, e Gundulfo, lombardo. Depois da morte da mãe entra em conflito com o pai e deixa a cidade natal, com a qual terá uma relação escassa e pouco significativa no futuro.

1056-1059 – À procura de uma sede onde aprofundar a sua preparação cultural, viaja à Borgonha, França e normandia.

1059 – Atraído pela fama do mestre de Lógica, Lanfranco de Pavia, frequenta a escola da abadia beneditina de Bec, na normandia, onde completa os estudos filosóficos e teológicos.

1051 – torna-se monge beneditino, da mesma abadia. Permanece aí durante 33 anos, dedicado à meditação, formação e ensino dos monges, à composição de numerosas obras e à direção da abadia.

1063 – Prior, em substituição de Lanfranco, que é nomeado abade de Saint Etienne. Anselmo fica portanto à frente da escola da abadia de Bec, a segunda mais famosa depois de Cluny.

1070 – Lanfranco torna-se bispo de Cantuária.

1076 – Anselmo escreve o Monologion, obra nascida das lições e conferências dadas aos monges de Bec, na qualidade de prior.

1077-1078 – Compõe o Proslogion, que se tornará célebre pelo argumento com o qual demonstra a existência de Deus.

1078 – Anselmo é nomeado abade de Bec, na sequência da morte de Herluíno, que tinha fundado a abadia de Bec em 1034. Permanece neste cargo até 1093, ano em que é nomeado arcebispo de Cantuária.

1079 – Anselmo conhece o monge Eadmero, numa visita aos mosteiros ingleses dependentes de Bec. Este monge permanecerá sempre o braço direito de Anselmo e acompanhá-lo-á depois, quando for nomeado Bispo de Cantuária. Deve-se a Eadmero a composição da Vita Anselmi, a biografia mais importante de Anselmo.

1080-1085 – Escreve a trilogia De veritate, De libertate arbitrii, De casu diaboli e o opúsculo De grammatico, um texto relevante de semântica medieval.

1092 – Escreve a Epistola De Incarnatione Verbi.

1093 – É nomeado bispo de Cantuária, alguns anos depois da morte de Lanfranco que ocorrera em 1089. Lanfranco era hábil nas questões políticas e diplomáticas. Ao contrário, Anselmo é rígido e intransigente na defesa dos direitos da Igreja. Isso valeu-lhe várias deportações, da parte do rei.

1097-1100 – Exílio: viaja a Cluny, Lyon, Roma, Cápua e Bari.

1094-1098 – Escreve Cur Deus homo. Intervém no Concílio de Bari, sobre a questão do Filioque, contra os Gregos, defende a derivação do Espírito «do Pai e do Filho».

1099 – Participa no Concílio de Roma que retoma o problema das investiduras/nomeações laicais para cargos eclesiásticos. Escreve De conceptu virginali et originali peccato.

1100 – Morre o rei Guilherme. Anselmo retorna a Cantuária. O rei é agora Henrique I. O conflito de poderes, eclesiástico e imperial, mantém-se.

1102 – Redige o De processione Spiritus Santi. Retoma a intervenção tida em Bari na questão do Filioque. Defende a doutrina exposta no Monologion, mas com auxílio de passagens da Sagrada Escritura.

1103-1006 – Novo exílio de Anselmo, pela sua oposição aos propósitos do rei de continuar a conferir cargos eclesiásticos. Sucessivas estadas em Bec, Chartres, Roma, Lyon e Cluny.

1106 – O rei Henrique consegue um acordo de compromisso com o papa Pascoal II. Chama Anselmo para a sede de Cantuária, por interesse político.

1107-1108 – Escreve De concordia praescientia et praedestinationis et gratia Dei cum libero arbitrio. 

1109 – Morte de Anselmo em Cantuária a 21 de abril.

 

 


A publicação deste volume contou com o apoio do Projeto estratégio do Instituto de Filosofia (Ref.ª PEst-C/FIL/UI0502/2011), financiado por Fundos FEDER através do Programa Operacional Factores de Competitividade – COMPETE (Ref.ª FCOMP-01-0124-FEDER- 022671) e por Fundos Nacionais, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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