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Página actualizada a 13-10-2016
Página impressa a 19-08-2017

Nicolau de Cusa

Imago Mundi, 3

Nicolau de Cusa, O não-outro. De non aliud, Introdução, tradução e notas por João Maria André, (col. Imago Mundi, vol. 3) Ed. Afrontamento, Porto 2012; 227 p. ISBN 978-972-36-1289-9. [ficha técnica pdf]

Índice

Introdução 7

Breve cronologia da vida e obra de Nicolau de Cusa 51
Bibliografia 3
Nota sobre o texto latino 56

Texto e tradução
De non aliud 8
O não outro 59 

Propositiones eiusdem reverendissimi patris Domini Nicolai Cardinalis de virtute ipsius nonaliud 204
Proposições do mesmo reverendíssimo padre, senhor Cardeal Nicolau de Cusa, sobre a força do próprio não-outro  205

Índice onomástico  227

 

 

Nicolau de Cusa (1401-1464) nasceu em Cusa, na atual Alemanha. Filho de Johann Krebs, abastado barqueiro do rio Mosela, teve uma educação cuidada em Heidelberg e Pádua, estudando filosofia, matemática e direito. Estudou depois teologia em Colónia. Entrado na vida eclesiástica, participou em discussões conciliares e desempenhou diversas missões diplomáticas. Em 1448 é nomeado cardeal de S. Pietro in Vincoli e em 1450 bispo de Bressanone/Brixen. Ao longo da sua atividade eclesiástica e diplomática manteve sempre o mesmo interesse pelo saber e pela busca de manuscritos de autores menos lidos, muitos dos quais de tradição hermética e neoplatónica ainda se conservam com as suas anotações na biblioteca do asilo que fundou em Bernkastel-Kues. A sua extensa obra é marcada pela exploração original de ideias filosóficas, matemáticas e cosmológicas que então marcavam o renascimento do pensamento, das artes e das ciências. No diálogo O não-outro, considerado um dos mais densos, profundos e especulativos textos de Nicolau de Cusa, cruzam-se algumas das suas principais intuições metafísicas na tentativa de compreender o absoluto, numa orientação platónica, afirmando e negando dialeticamente a identidade e a diferença, a relação entre o criador e as criaturas, o infinito e o finito, o uno e o múltiplo, a transcendência e a imanência. A obra, centrada na questão dos nomes divinos, mostra-nos a mestria dialética de Nicolau de Cusa no apogeu do seu pensamento, simultaneamente místico e filosófico. Morreu em 1464, tendo à cabeceira o seu médico, o português Fernando Martins, interlocutor do diálogo O não-outro.

 

João Maria André é Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Diretor do Departamento de História, Arqueologia e Artes, tendo-se doutorado em Filosofia com a tese Sentido, simbolismo e interpretação no discurso filosófico de Nicolau de Cusa (ed. FCG-JNICT, Lisboa 1997). Para português traduziu  outras três obras de Nicolau de Cusa: A visão de Deus (Lisboa 2012, 4ª ed.), A douta ignorância (Lisboa 2012, 3ª ed.) e A paz da fé, seguida de Carta a João de Segóvia (Coimbra 2002). Sobre Nicolau de Cusa editou e publicou obras coletivas, artigos e capítulos, em Portugal e no estrangeiro. É membro do Wissenschaftliches Beirat da Sociedade Cusana. Tem publicado também sobre o pensamento renascentista, o teatro e as questões da interculturalidade e globalização.

 

 

Cronologia de Nicolau de Cusa:

1401 – Em Cusa nasce Nikolaus Krebs, filho do barqueiro mercador Hennen Kryfftz (= Johann Krebs).

1416 – Estuda Artes liberais na Universidade de Heidelberg. Adquire o grau académico de baccalaureus in artibus.

1417-23 – Estuda Direito Canónico na Universidade de Pádua. Grau académico: doctor decretorum.

1425 – Inscrição na Universidade de Colónia.

1428 – Descobre doze comédias perdidas de Plauto. Recusa o cargo de professor de direito canónico na Universidade de Lovaina.

1432 – Está presente no Concílio de Basileia. Membro da fidei deputatio (comissão de exame de assuntos de fé).

1433-34 – Negociação com os Hussitas da Boémia. Escreve várias obras entre as quais De maioritate auctoritatis sacrorum conciliorum supra auctoritatem papae, De concordantia catholica.

1435 – Apresenta um memorando sobre a revisão do calendário litúrgico (De reparatione kalendarii).

1437 – Viaja a Constantinopla como representante do Papa Eugénio IV, tendo como missão persuadir o imperador e o patriarca a encontrarem-se com o papa, com a esperança de reunir a cristandade ocidental e oriental.

1440 – Conclusão do De docta ignorantia I-III em Cusa.

1440-1445 – Redação do De coniecturis, de vários opúsculos entre os quais De Deo abscondito, De quaerendo Deum, De filiatione Dei, De dato patris luminum, e de alguns tratados matemáticos como o De geometricis transmutationibus  e o De arithmeticis complementis.

1446 – Coniectura de ultimis diebus.

1446-47 – Delegado papal nas assembleias de Frankfurt e Aschaffenburg.

1447 – De Genesi.

1448 – Nomeado Cardeal pelo Papa Nicolau V.

1449 – Apologia doctae ignorantiae.

1450 – Além dos tratados matemáticos De circuli quadratura e Quadratura circuli, composição dos livros que integram o Idiota: de sapientia, de mente, e de staticis experimentis.

 1451-52 – Grande jornada missionária através da Alemanha e Áustria como legado papal com o intuito de reformar a igreja.

1452 – Início da atividade episcopal em Brixen.

1453 – Complementum theologicum, De pace fidei, De mathematicis complementis, De visione Dei.

1454-1457 – Sínodos diocesanos e pregação regular em Brixen. Dedica-se ao trabalho de reforma dos mosteiros.

1457 – Dialogus de circuli quadratura, De caesarea circuli quadratura.

1458 – De beryllo. Por causa do conflito com o Duque Sigismundo de Tirol deixa a sua diocese e refugia-se em Roma. Dita o documento de fundação de um asilo para idosos em Cusa, que ainda hoje se mantém em funcionamento. De mathematica perfectione.

1459 – De aequalitate, De principio. Está em Roma como legatus urbis. Sínodos de reforma enquanto o Papa Pio II está no Congresso dos Príncipes, em Mântua. De mathematica aurea propositione.

1460 – Retorna temporariamente à diocese de Brixen. Depois da prisão e extorsão pelo Duque Sigismundo, em Brunico, Cusa deixa a sua diocese e vive até à sua morte como cardeal em Roma; todavia continua a ser Arcebispo Primaz de Brixen. De possest.

1460-61 – Cribratio alkorani.

1462 – Directio speculantis seu de li non aliud. De venatione sapientiae.

1462-63 – De ludo globi.

1463 – Compendium.

1464 – De apice theoriae.

1464 – Morre a 11 Agosto em Todi, na Úmbria.

 


A publicação deste volume contou com o apoio do Projeto estratégio do Instituto de Filosofia (Ref.ª PEst-C/FIL/UI0502/2011), financiado por Fundos FEDER através do Programa Operacional Factores de Competitividade – COMPETE (Ref.ª FCOMP-01-0124-FEDER- 022671) e por Fundos Nacionais, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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