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Página actualizada a 13-08-2021
Página impressa a 27-10-2021

Beatriz de Nazaré


Obras Publicadas


Imago Mundi, 18






Beatriz de Nazaré, Sete maneiras de amor sagrado, tradução por Arie Pos, estudos introdutórios por Arie Pos, Joana Serrado e Maria Pinho, col. Imago Mundi, vo. 18, Afrontamento, Porto 2018. ISBN 978-972-36-1655-2. [ficha técnica]








Beatriz de Nazaré (1200-1268), prioresa cisterciense flamenga e baluarte do pensamento das Beguinas, é também autora de Sete maneiras de amor sagrado, do tratado poético que se inclui neste volume, precedido de três estudos introdutórios. Beatriz de Nazaré, como Hadewijch de Brabante (c. 1200), Matildede Magdeburgo (c. 1207-1282) e Margarida Porete (1250-1310), são autoras que, a despeito de se encontrarem reconhecidas nas histórias da mística, têm vindo a manter-se um tanto distantes do panorama filosófico, sobretudo no que à língua portuguesa concerne. Traduzir estas autoras pretende motivar uma reflexão contemporânea sobre o legado histórico feminino e místico na filosofia medieval, legado esse consubstanciado numa rede literária singular bem como num pensamento original, o qual provisoriamente podemos intitular de filosofia das Beguinas. Sete maneiras de amor sagrado descreve e compreende as várias maneiras de Minnen, sobretudo entendidas como processos interiores marcados pelo desejo, que se manifestam na alma que se prepara para a entrega total ao amor divino. Com este curto mas intenso texto de cerca de quatro mil palavras, Beatriz viria a marcar futuras gerações renanas, nas quais se destacam, para além das Beguinas atrás referidas, pensadores canónicos como Mestre Eckhart (1260-1327) e João Ruusbroec (1293-1381). Este volume pretende também contribuir para a discussão dos limites do cânone filosófico medieval, alargando-o a textos de autoria feminina e não escolásticos.


Arie Pos é tradutor literário de português para neerlandês e vice-versa. Entre outros, traduziu para neerlandês a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, e Os Lusíadas, de Camões. Estudou literatura neerlandesa e literatura comparada na Universidade de Leiden, onde se doutorou em 2008 com uma tese sobre chinoiserie na literatura. Foi professor de língua, literatura e cultura neerlandesas nas universidades de Coimbra, Lisboa e Porto.

Joana Serrado é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. Estudou filosofia e neerlandês em Coimbra e concluiu o mestrado no Porto, sobre Hadewijch. Em 2014 doutorou-se em Teologia e Estudos Religiosos na Universidade de Groningen com uma tese sobre a noção de ânsias na mística portuguesa cisterciense Joana de Jesus (1617-1689). Ocupou posições académicas em Oslo, Harvard, Oxford e Cambridge.

Maria Pinho é mestranda em Estudos Medievais na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo-se licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos (2017) nesta mesma instituição.



Índice









Breve cronologia da vida e obra de Beatriz de Nazaré


1200 - Beatriz nasce na cidade de Tienen (Tirlemont, em francês), perto de Lovaina, filha mais nova entre os seis filhos de um casal devoto e relativamente abastado.

1207 - Desde muito nova recebe educação escolar e religiosa da mãe Gertrude, que morre quando Beatriz tem sete anos. Para poder continuar «no caminho da virtude», o pai Bartholomeus confia a filha, ainda em 1207, a uma comunidade de beguinas em Zoutleeuw (Léau,em francês), cidade a leste de Tienen onde frequenta também uma escola.

1208 - Depois de um ano o pai decide fazer regressar a filha à casa paterna.

1210 - A partir de cerca de 1210 frequenta a escola do mosteiro cisterciense feminino de Bloemendaal (Florival), na aldeia de Eerken (Archelles, a sul de Lovaina), fundado pelo pai, numa antiga abadia de beneditinas, que é reformada para passar a seguir a regra de Cister. Tem um forte desejo de seguir a via monástica.

1215 - Depois de fazer quinze anos é aceite como noviça no mosteiro de Bloemendaal, juntamente com as duas irmãs. No mesmo dia, quinta-feira santa, dia 16 de Abril, o pai e um irmão entram na Ordem como irmãos leigos. Na altura, o irmão e a irmã mais velhos de Beatriz já tinham entrado nos mosteiros de Averbode e Rameia, respectivamente.

1216 - Em Abril, Beatriz faz a profissão e pouco tempo depois é enviada para o mosteiro de Rameia (La Ramée), em Jauchelette (Jodoigne), a sul de Tienen, para exercitar-se na caligrafia e iluminura de livros manuscritos, passando depois a copiar saltérios para a comunidade. Em Rameia encontra a mística Ida van Nijvel (Ida de Nivelles, c. 1197-1231). Tornam-se amigas e Ida, três anos mais velha e mais avançada na vida espiritual e religiosa, vem a ser um exemplo e uma conselheira quase maternal para Beatriz.

1217 - Em Fevereiro ou Março volta para Bloemendaal onde inicia o seu percurso de purificação.

1221 - No Outono, Beatriz muda com o pai, as duas irmãs e o irmão para um novo mosteiro fundado pelo pai e chamado Maagdendaal (Vallis Virginum), em Oplinter, um lugar situado entre Tienen e Zoutleeuw.

1225 - Beatriz é consagrada como virgem de Cristo em Maagdendaal.

1231 - A 11 de Dezembro morre Ida van Nijvel, que foi um importante apoio no seu percurso de purificação, que decorria com altos e baixos. Até duas semanas antes da morte de Ida, Beatriz tinha passado por um período de «noite escura» de cerca de três anos, que tinha acabado com um estado de graça em que tinha visões onde se via incluída no coro dos serafins, indicando, segundo o autor da Vita, que a sua purificação passiva tinha atingido o estado de perfeição. A notícia da morte de Ida abala-a muito.

1232 - Durante a comunhão de 7 de Janeiro Beatriz experiencia o abraço de Cristo que lhe inspira o desejo de procurar a essência da Santíssima Trindade e a dissolução do corpo. Tem visões da Santíssima Trindade que lhe provocam euforias de felicidade em que perde o domínio do corpo. Para evitar a atenção e a veneração da comunidade pensa em fingir a loucura o que lhe é desaconselhado por um confessor.

1236 - Em Maio, Beatriz entra com as duas irmãs Cristina e Sibila no novo mosteiro de Nazaré fundado pelo pai e localizado a sul dacida de de Lier, a sudeste de Antuérpia.

1237 - Beatriz assume funções como a primeira prioresa eleita do mosteiro, funções que desempenha durante trinta e um anos até à sua morte. Desse período não existiam memórias escritas por Beatriz que o autor da Vita pudesse utilizar. Escreve que o novo mosteiro conseguiu uma numerosa confluência de virgens de localidades vizinhas que foram ensinadas por Beatriz e se tornaram as suas seguidoras.

c. 1240-1250 - Neste período escreve provavelmente Sete maneiras de amor sagrado.

1268 - Beatriz, desde o Natal de 1267 acamada e consumida por um desejo ardente de ir para o Céu, morre a 29 de Agosto.

 






A publicação deste volume contou com o apoio do Projeto estratégio do Instituto de Filosofia (Ref.ª PEst-C/FIL/UI0502/2011), financiado por Fundos FEDER através do Programa Operacional Factores de Competitividade - COMPETE (Ref.ª FCOMP-01-0124-FEDER- 022671) e por Fundos Nacionais, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.


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